A cultura digital pode estar ao serviço do Pensamento divergente, quando não se cinge apenas a aplicar aprendizagens onde se apela apenas a memorizar, mas sim a uma verdadeira cultura de escola. Por exemplo, como referenciado por Edméa Santos (2014) quando menciona o potencial de algumas interfaces digitais usualmente disponíveis na maior parte dos ambientes virtuais e softwares de redes sociais disponíveis no ciberespaço, como os fóruns de discussão, chats, blogues e diários online, portfólios. De facto, pode-se apelar à criatividade, à capacidade de pensar através de formas apelativas, como são estes interfaces digitais, possibilitando aos alunos uma aprendizagem significativa. Como refere Bill Gates "Não podemos reformar o sistema de ensino público, nós precisamos de substituí-lo completamente! E a cultura digital, de forma inteligente e através de um modelo construtivista, poderá contribuir de forma decisiva.
Muitos alunos apresentam com Hiperatividade e Défice de Atenção. Chegamos a um ponto que a resposta a estes alunos que vivem "bombardeados" de informação, na sua maioria através de estímulos fornecidos pela Internet, capazes de sobressaírem com bons resultados a serem "apagados" através de medicação. Na maioria dos casos tal acontece pois a escola não é atraente, não os inclui ao não diferenciar, ao não arranjar estratégias que vão ao encontro da Sociedade emergente e digital que faz parte cada vez mais do seu dia-a-dia. Em muitos casos, como refere Alvin e Heidi Toffler ao criticarem o Sistema Educativo, "O que temos são escolas que foram literalmente projetadas para providenciar mão-de-obra especializada para uma era de economia industrial...".
Existem 4 tipologias de Sistemas Educativos de acordo com Vaniscotte (1996), sendo estes:
Tipo Escandinavo: escola polivalente, sobressai o vetor seletividade, acentua o princípio da igualdade de oportunidades, tendo como 1º objetivo o desenvolvimento da criança e a sua "felicidade" na escola. Retarda o mais possível as avaliações normativas e os procedimentos seletivos;
Tipo anglosaxónico: acentua o princípio da diferenciação; substitui-se o grupo "classe" pelo grupo "fase"; acrescenta o princípio da flexibilização do percurso, maleabilidade nas formas de avaliação;
Tipo germânico: orientação precoce em oferta de vias de estudo paralelas que prosseguem finalidades diferentes, para favorecer a inserção profissional e social do aluno. Domina o vetor da funcionalidade; interação do sistema educativo cm o sistema económico. Dominam os princípios da adaptabilidade e da continuidade da formação;
Tipo latino-mediterrânico: valoriza o vetor da homogeneidade; tronco comum aparece como uma solução para responder à procura social; vive à base de normativos que, às vezes, gera frequentes contradições; confronta-se entre o princípio da generalidade e o da especialização; cria insatisfações permanentes porque alimenta um conflito relativamente à sociedade em geral e à sociedade empregadora em particular.
Se verificarmos que a grande função do sistema educativo é promover a cidadania formando cidadãos na plenitude deste conceito, verificamos que especialmente o Tipo latino-mediterrânico terá de evoluir, não mudar completamente, pois apresenta algumas virtudes, mas abandonar a regularidade com que vive de normativos e acentuar o principio da igualdade de oportunidades, que se traduz na vivência da escola como um local aprazível e feliz. E aqui o papel das tecnologias digitais podem ter um papel determinante na configuração dos sistemas educativos ao emergir como facilitadores expansionistas na aquisição significativa/problematizante do Currículo. Aulas interativas, criação de blogues, fóruns de discussão acerca de um tema, diários de bordo online, constituem formas de sair da rotina, e colocar a motivação dos alunos como fator essencial nas aprendizagens.
Ainda tendo em atenção o tema, "Impacto e o papel das tecnologias digitais podem ter no atual paradigma educacional e na configuração dos sistemas educativos" podemos mencionar Edméa Santos ao mencionar que "Para operar sua inclusão cibercultural, os professores, em particular, precisarão dar-se conta da montagem de conexões em rede que permite uma multiplicidade de recorrências entendidas como liberação de compartimento, da autoria, conetividade, colaboração e interatividade para potencializar a sua prática docente". Esta investigadora educacional faz referência à tomada de consciência por parte dos docentes da fase Web 2.0 como forma de promover a interação, o conhecimento obíquo, que poderá realmente favorecer esta mudança de paradigma educacional e na configuração dos sistemas educativos. E ainda acrescenta "Ao fazê-lo, eles contemplam atitudes cognitivas e modos de pensamento que se desenvolvem juntamente com o crescimento da web 2.0... contemplam o novo espetador, a "geração digital" (Tapscott, 1999) ou ainda as chamadas gerações "Y" e "Z", expressivamente familiarizadas com a mobilidade ubíqua, com a liberalização do compartilhamento, da autoria, conectividade, colaboração e interatividade."


