sábado, 25 de novembro de 2017

O impacto e o papel das tecnologias digitais no atual paradigma educacional e na configuração dos sistemas educativos contemporâneos

      A cultura digital pode estar ao serviço do Pensamento divergente, quando não se cinge apenas a aplicar aprendizagens onde se apela apenas a memorizar, mas sim a uma verdadeira cultura de escola. Por exemplo, como referenciado por Edméa Santos (2014) quando menciona o potencial de algumas interfaces digitais usualmente disponíveis na maior parte dos ambientes virtuais e softwares de redes sociais disponíveis no ciberespaço, como os fóruns de discussão, chats, blogues e diários online, portfólios. De facto, pode-se apelar à criatividade, à capacidade de pensar através de formas apelativas, como são estes interfaces digitais, possibilitando aos alunos uma aprendizagem significativa. Como refere Bill Gates "Não podemos reformar o sistema de ensino público, nós precisamos de substituí-lo completamente! E a cultura digital, de forma inteligente e através de um modelo construtivista, poderá contribuir de forma decisiva.
       Muitos alunos apresentam com Hiperatividade e Défice de Atenção.  Chegamos a um ponto que a resposta a estes alunos que vivem "bombardeados" de informação, na sua maioria através de estímulos fornecidos pela Internet, capazes de sobressaírem com bons resultados a serem "apagados" através de medicação. Na maioria dos casos tal acontece pois a escola não é atraente, não os inclui ao não diferenciar, ao não arranjar estratégias que vão ao encontro da Sociedade emergente e digital que faz parte cada vez mais do seu dia-a-dia. Em muitos casos, como refere Alvin e Heidi Toffler ao criticarem o Sistema Educativo, "O que temos são escolas que foram literalmente projetadas para providenciar mão-de-obra especializada para uma era de economia industrial...".
       Existem 4 tipologias de Sistemas Educativos de acordo com Vaniscotte (1996), sendo estes:
Tipo Escandinavo: escola polivalente, sobressai o vetor seletividade, acentua o princípio da igualdade de oportunidades, tendo como 1º objetivo o desenvolvimento da criança e a sua "felicidade" na escola. Retarda o mais possível as avaliações normativas e os procedimentos seletivos;
Tipo anglosaxónico: acentua o princípio da diferenciação; substitui-se o grupo "classe" pelo grupo "fase"; acrescenta o princípio da flexibilização do percurso, maleabilidade nas formas de avaliação;
Tipo germânico: orientação precoce em oferta de vias de estudo paralelas que prosseguem finalidades diferentes, para favorecer a inserção profissional e social do aluno. Domina o vetor da funcionalidade; interação do sistema educativo cm o sistema económico. Dominam os princípios da adaptabilidade e da continuidade da formação;
Tipo latino-mediterrânico: valoriza o vetor da homogeneidade; tronco comum aparece como uma solução para responder à procura social; vive à base de normativos que, às vezes, gera frequentes contradições; confronta-se entre o princípio da generalidade e o da especialização; cria insatisfações permanentes porque alimenta um conflito relativamente à sociedade em geral e à sociedade empregadora em particular.
       Se verificarmos que a grande função do sistema educativo é promover a cidadania formando cidadãos na plenitude deste conceito, verificamos que especialmente o Tipo latino-mediterrânico terá de evoluir, não mudar completamente, pois apresenta algumas virtudes, mas abandonar a regularidade com que vive de normativos e acentuar o principio da igualdade de oportunidades, que se traduz na vivência da escola como um local aprazível e feliz. E aqui o papel das tecnologias digitais podem ter um papel determinante na configuração dos sistemas educativos ao emergir como facilitadores expansionistas na aquisição significativa/problematizante do Currículo. Aulas interativas, criação de blogues, fóruns de discussão acerca de um tema, diários de bordo online, constituem formas de sair da rotina, e colocar a motivação dos alunos como fator essencial nas aprendizagens.
      Ainda tendo em atenção o tema, "Impacto e o papel das tecnologias digitais podem ter no atual paradigma educacional e na configuração dos sistemas educativos" podemos mencionar Edméa Santos ao mencionar que "Para operar sua inclusão cibercultural, os professores, em particular, precisarão dar-se conta da montagem de conexões em rede que permite uma multiplicidade de recorrências entendidas como liberação de compartimento, da autoria, conetividade, colaboração e interatividade para potencializar a sua prática docente". Esta investigadora educacional  faz referência à tomada de consciência por parte dos docentes da fase Web 2.0 como forma de promover a interação, o conhecimento obíquo, que poderá realmente favorecer esta mudança de paradigma educacional e na configuração dos sistemas educativos. E ainda acrescenta "Ao fazê-lo, eles contemplam atitudes cognitivas e modos de pensamento que se desenvolvem juntamente com o crescimento da web 2.0... contemplam o novo espetador, a "geração digital" (Tapscott, 1999) ou ainda as chamadas gerações "Y" e "Z", expressivamente familiarizadas com a mobilidade ubíqua, com a liberalização do compartilhamento, da autoria, conectividade, colaboração e interatividade."

sexta-feira, 3 de novembro de 2017



Que Educação para o Século XXI? Educação Onlife???

O documento "Perfil dos alunos para o séc. XXI" vai ao encontro endógeno do tema lançado pelo professor António "Principais tendências evolutivas das sociedades contemporâneas e ao modo como interpelam a Educação e os sistemas educativos- Que educação para o séc. XXI? Educação Online?
Logo no prefácio, o professor Guilherme D´Oliveira Martins remete-nos para uma contextualização inequívoca, " O que distingue o desenvolvimento do atraso é a aprendizagem. O aprender a conhecer, o aprender a fazer, o aprender a viver juntos e a viver com os outros e o aprender a ser constituem elementos que devem ser vistos nas suas diversas relações e implicações. Isto mesmo obriga a colocar a educação durante toda a vida no coração da sociedade – pela compreensão das múltiplas tensões que condicionam a evolução humana.". De facto, a escola tem de ter os seus pilares no aprender a fazer, aprender a viver juntos e a viver com os outros e a aprender a ser. A Sociedade é isso mesmo, e a escola tem de ser um reflexo, de forma a contribuir para uma Educação em que os alunos possam maximizar competências que reflitam o resolver problemas com capacidade crítica e flexível.
Os princípios subjacentes neste documento que induzem ao trabalho curricular, vão sem dúvida ao encontro dessa nova escola, desse novo paradigma educacional que nos distancia das salas de aula expositivas, com giz branco, em que o professor apenas debita. De facto, a Escola ONlife, potencia: A. Um perfil de base humanista; B. Educar ensinando para a consecução efetiva das aprendizagens; C. Incluir como requisito de educação; . D. Contribuir para o desenvolvimento sustentável; E. Educar ensinando com coerência e flexibilidade; F. Agir com adaptabilidade e ousadia; . G. Garantir a estabilidade; H. Valorizar o saber. São pois princípios chave que permitem um perfil de aluno, depois de 18 anos de escolaridade, que valorize não só os conhecimentos puros científicos e muito importantes, mas que consiga aplica-los em novas situações, de forma ousada, que respeita a diferença dos demais, mas saiba adaptar-se a novas situações "capaz de pensar critica e autonomamente, criativo, com competência de trabalho colaborativo e capacidade de comunicação; apto a continuar a sua aprendizagem ao longo da vida, como fator decisivo do seu desenvolvimento pessoal e da sua intervenção social" entre outras capacidades, referenciadas neste documento.
E a este propósito sugeria a definição de sistema de Saussure, um sistema é “uma totalidade organizada, formada por elementos solidários que não podem ser definidos uns em relação aos outros, senão em função do seu lugar nessa totalidade”. E na realidade a definição do lugar destes indivíduos surge em função do seu lugar na totalidade. E a escola terá de ser esse espelho das relações emergentes e endógenas da sociedade. O perfil dos alunos terá de corresponder a competências essenciais que extrapolem apenas o conhecimento académico, mas que garanta um perfil de pessoas, criativas, autónomas, humanistas, capazes de acompanharem as mutações constantes das sociedades modernas.







Como as tendências evolutivas interpelam a Educação e os Sistemas Educativos


Nos dias de hoje a educação está presente desde que se nasce até que se morre, pelo que estamos perante uma das tarefas mais complexas, dependente de várias variáveis de entrada, não havendo um processo final, mas sim um processo sempre em evolução.
Num processo educativo que se poderá iniciar no pré-escolar e que poderá ir até ao ensino superior, não esquecendo a formação continua de ativos nas diferentes áreas de formação, os modelos educativos terão de ser descentralizados e concebidos em micro modelos adequados, em função das diferentes variáveis que estão associadas a educação. Quando pensamos em modelos educativos para o século XXI, temos de pensar numa escola mais ampla com capacidade de compensar a falta de afetividade familiar, atenta e pro ativa aos problemas individuais, dispor de outras valências extra curriculares, interligar um ensino à distancia com ensino presencial, dar enfoco à aprendizagem com base na experimentação.  








Principais tendências evolutivas das Sociedades Contemporâneas....

Como se encontra explicito no relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre a Educação para o Século XXI "A Educação é um grito de amor à Infância e à Juventude que devemos acolher nas nossas sociedades". Penso que é este o cerne da mudança de Paradigma que o Professor António Nóvoa nos remete. As salas de aula como nós as conhecemos não estão a objetivar os jovens e adultos, com competências para o empreendedorismo, inovação e resolução de problemas que se quer. As sociedades do Século XXI requerem que a Educação seja tida como um processo endógeno, onde para além das correntes de aprendizagem ativa, como se carateriza, por exemplo, o movimento da Escola Moderna, se coloque o aluno como construtor ativo da sua aprendizagem. Existem já influências que advêm dos sistemas Educativos da Europa do Norte, onde de forma natural a Educação não é um sistema penalizador, onde o aluno recebe a informação e depois, num determinado momento, tem de a debitar. Trata-se de, como muito bem, referiu o professor António Nóvoa, mudar. E mudar para algo totalmente diferente, que requer uma nova forma de ver a Educação. Trata-se de adaptar o Currículo à sociedade. E as sociedades modernas são constituídas pelo resolver de forma criativa e inovadora, os problemas existentes, quer sejam avanços científicos, culturais, onde o digital tem o que eu penso ser "o trampolim" para energizar competências intrínsecas nos alunos Não é só APRENDER A CONHECER, é preciso fazer Fazer construindo, para poder realizar uma aprendizagem significativa.

O impacto e o papel das tecnologias digitais no atual paradigma educacional e na configuração dos sistemas educativos contemporâneos

      A cultura digital pode estar ao serviço do Pensamento divergente, quando não se cinge apenas a aplicar aprendizagens onde se apela ap...